sábado, 29 de setembro de 2007

O que é de todos


Ontem, voltando do trabalho, andei pensando sobre como ainda teremos problemas no que se refere a formar para uma cidadania consciente. Eram mais ou menos seis horas da tarde (e quem circula neste horário pode imaginar como estava a estação da Luz...) e um dos trens não iria prestar serviço e ficou estacionado na plataforma, sem que ninguém pudesse embarcar, o que causou um acúmulo grande de gente... No meio desta loucura, um rapaz tirou uma caneta para retro e começou a escrever no trem. Sem pensar, acostumada a chamar a atenção das crianças para que não risquem as carteiras, disse ao rapaz que não riscasse o trem. Ele olhou pra mim, e, como se tivesse entendido no tom da minha voz que não é desse jeito que vamos melhorar nada, guardou a caneta. Muita gente olhou pra mim como se eu fosse louca, outros como a heroína do dia; e eu olhei pra muita gente com raiva, pois, no meio de bem umas 300 pessoas, uma disse algo. Quando vamos compreender que o trem, assim como tudo que é PÚBLICO não nos é dado de graça, não é um feito deste ou aquele prefeito, que é dos nossos impostos, do nosso direito de cidadão que as coisas são construídas? Quando vamos nos lembrar da idéia de que o público não é o que não é ninguém, mas sim o que é de todos?
Se caso vocês (principalmente os educadores) passarem por uma situação como essa, por favor, não fiquem quietos. Ou se acharem que sua integridade física vale mais do que a tentativa de fazer o mundo um lugar um pouco melhor, fique com pesinho na cosciência... não deixe que essas coisas se tornem NATURAIS, por que elas não são.

A imagem desta postagem é a bela estação da Luz, em foto de Mário Rodrigues.

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