domingo, 6 de abril de 2008

Qual é a sua parte?

Durante o evento que realizamos hoje sobre a Identidade do Professor pensamos sobre nossa profissão de várias formas, em muitos momentos... Durante as oficinas, colocamos a seguinte situação para nossos colegas: Você está andando na rua durante uma noite muito fria. Durante sua caminhada em direção a sua casa, você percebe encolhida num canto da calçada uma criança. Ela está completamente sozinha, com frio e provavelmente com fome. Dado isto você tem três opções. Primeira, você reclama do governo, xinga e se revolta, vai para casa determinado a se tornar um ativista político. Segunda, você pede em oração que Deus prova um cobertor para aquela criança e que ela saia daquela situação... coitadinha... Terceira: você vai até sua casa, pega um cobertor e um prato de comida e leva para aquela criança.

Qual das opções pode resolver o problema a curto prazo? Tanto a história quanto essa primeira pergunta foram criadas por um importante lider religioso, o Dalai Lama. Em nenhuma oficina tivemos problema com essa resposta: todos optaram por levar o cobertor à criança...
Mas e a longo prazo? E todas as crianças pelas quais você não passou naquela noite?
O problema desta oficina é um problema ético: o que fazer diante desta situação, e de tantas outras que se assemelham no que tange a esvaziação do sentido de dignidade que nós enfrentamos dia-a-dia em nossa profissão? O que estamos fazendo como cidadãos? Não podemos pensar numa identidade sem pensar em atividade, sem pensar no que fazemos, pois nossas ações são guiadas pelos nossas valores, e nossos valores edificam nossa identidade. Podemos então pensar em identidade, em atividade como professores, se não pensarmos em nossa identidade como cidadãos brasileiros?
A acomodação é o caminho mais fácil. Quantos de nós, com toda franqueza, nem ao menos perceberia a criança no chão?... A miséria é algo banal em nossa sociedade... ela é algo "normal"... e a quantos passos o normal fica, dentro do senso comum, do que é "natural"?...
Não corremos o risco de banalizar a vida, por que já o fazemos. Não estará na hora de corrermos o risco de tentar lutar por uma melhoria significativa para esta criança da noite fria, e para todas de nosso país?...










2 comentários:

Smartphone disse...

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Marcos Euzebio disse...

Como diria Lênin: "o que fazer?" Ele mesmo fez muita bobagem na tentativa de fazer alguma coisa... Quem sabe não estejamos fazendo alguma coisa boa, que nascerá das bobagens cometidas?